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 CULTIVO DE BERBIGÃO GARANTE RECUPERAÇÃO DE ESTOQUES NATURAI

ComunidadesProjeto desenvolvido pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), propõe o desenvolvimento de cultivo de berbigão (Anomalocardia Brasiliana). O projeto que tem impactos positivos para a economia e meio-ambiente, vai verificar o desenvolvimento das sementes em diferentes condições de cultivo, no laboratório e no mar. Com esse trabalho, serão identificados o melhor período do ano para se realizar a produção de larvas do berbigão, a melhor densidade de cultivo e periodicidade que devem ser realizadas as trocas de água durante a etapa de produção de larvas e a melhor metodologia de cultivo para que o berbigão atinja em menor tempo o tamanho comercial.

O pesquisador do Laboratório de Pesquisas de Moluscos do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), da Univali, e coordenador do projeto, Gilberto Caetano Manzoni, explica que a pesquisa beneficiará o cultivo em toda o país: “Mesmo que a geração destas informações sejam realizadas no estado de Santa Catarina, elas certamente subsidiarão as estratégias de cultivo, com esta espécie em outros estados litorâneos do Brasil, que também exploram este recurso. Além disso, a geração destas informações consolidarão cada vez mais o Brasil, como destaque na produção de moluscos no cenário latino-americano”, disse Manzoni.

O pesquisador da Univali, alerta para a necessidade de desenvolvimento de uma tecnologia de produção de sementes em laboratório, para que seja viabilizada a recuperação dos estoques naturais ou ate mesmo o cultivo desta espécie, na área da reserva. “Em Santa Catarina, especificamente em Florianópolis, a Reserva Extrativista Marinha do Pirajubae (Remapi), foi criada em 1992 para realização de exploração sustentável. Entretanto, a não observação das recomendações do plano de manejo provocou mudanças significativas na estrutura populacional, evidenciando indícios de sobre-explotação deste recurso”, explica Manzoni.

O Laboratório de Pesquisas de Moluscos do CTTMar/Univali trabalha desde 2005 com esses organismos e é responsável pela produção pioneira no Brasil de larvas em laboratório. Os resultados já levantados demonstram que o processo de metamorfose inicia no décimo dia, quando as larvas se transformam em plantígradas bentônicas ou pré-sementes, nos próprios tanques de larvicultura, não necessitando de substratos adicionais para completar esta metaformose.

No décimo sétimo dia, as larvas apresentam em torno de 300 micras e já é possível diferenciar os sifões, exalante e inalante. Com 57 dias, as sementes apresentam o comprimento de 1mm. Entretanto, o pesquisador da Univali explica que nestes experimentos, preliminares, não foram avaliadas as densidades de cultivo, crescimento e sobrevivência das larvas associadas a distintos períodos de renovação da água: “Estas informações são fundamentais para que se estabeleça um protocolo de produção de sementes. Além disso, também não existem informações do crescimento e sobrevivência das sementes cultivadas no ambiente natural e no laboratório”, pontua.

Seguindo a tendência mundial, a produção dos organismos aquáticos cultivados no Brasil, apresentou um crescimento excepcional nos últimos 15 anos, passando de 20,5 toneladas em 1990 para 257 mil toneladas em 2005. Atualmente, a produção de moluscos no Brasil é aproximadamente 15 mil toneladas, sendo que Santa Catarina é responsável por 95% desta produção. No Estado, especificamente na Capital, esta exploração é realizada tradicionalmente, e de maneira expressiva, pela comunidade do Rio Tavares, na Remapi, onde em 2005 foram coletados 947,41 toneladas. Esse resultados indicam a viabilidade da produção de sementes de berbigão em laboratório e são importantes uma vez que, até então, não se tinha referência sobre o desenvolvimento larval desta espécie no Brasil.

Mais informações: (47) 3345-5980/9989-5316, com Gilberto Manzoni, coordenador do Laboratório de Pesquisas de Moluscos do CTTMar/Univali.

Fonte: UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí - SC



 
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