 | CIENTISTAS QUEREM CENSO DA VIDA MARINHA NO ATLÂNTICO SUL |
Estudar a maneira como as espécies estão distribuídas atualmente pelo planeta. É com esse objetivo que pesquisadores do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), trabalham para estender ao Oceano Atlântico Sul o programa mundial Census of Marine Life (Censo da Vida Marinha). Esse programa existe desde 2000 no Atlântico Norte e consiste no levantamento da diversidade marinha. O projeto piloto internacional conhecido como Mar-Eco é responsável pelo levantamento da biodiversidade das regiões localizadas no Atlântico Norte, entre a Islândia e o Arquipélago dos Açores. A partir dos resultados obtidos os cientistas buscam expandir os estudos para o Atlântico Sul.
Segundo o professor José Angel Alvarez Perez, coordenador do Grupo de Estudos Pesqueiros, do CTTMar/Univali, há um conjunto de diretrizes que precisa ser seguido pelos projetos que estão associados: “Basicamente, o que se exige são propostas que efetivem os conhecimentos sobre a vida no mar, desde as áreas costeiras até as áreas mais remotas. Existem hoje 17 projetos dentro do programa Censo da Vida Marinha, voltados em sua maioria às áreas mais profundas e remotas do planeta” disse Angel. Durante a primeira abordagem, feita no ano passado, o resultado foi a criação de um comitê executivo do Mar-Eco específico para o Atlântico Sul. Esse comitê é composto por um membro da Argentina, um do Uruguai, um da África do Sul, um da Nova Zelândia, dois do Brasil e é presidido pelo pesquisador da Univali. A missão desse comitê é encontrar meios para que o projeto Mar-Eco possa se expandir para o Atlântico Sul. “A intenção é utilizar alguns tipos de tecnologia usados no Atlântico Norte, uma vez que os resultados obtidos aqui precisam ser tão bons quanto os conseguidos lá. Mas tudo depende do tipo de articulação para se conseguir um barco com estrutura suficiente para desenvolver este tipo de pesquisa”, salienta Angel. O pesquisador participou, no final de setembro, de um workshop internacional do programa Mar-Eco realizado em Reikjavik, na Islândia. Na ocasião teve a oportunidade de expor os conceitos e as metas atingidas pelo programa no Atlântico Sul. Essa participação estimulou parcerias entre os cientistas dos países ligados ao Atlântico Norte com os do Atlântico Sul e deu continuidade às iniciativas voltadas a concretização dos estudos nos próximos anos. Sobre a necessidade de pesquisa no Atlântico Sul, Angel explicou que no centro desse oceano encontra-se a cadeia de montanhas meso-oceânica que se estende 14 mil quilômetros de norte a sul e que se eleva a dois mil metros de altura do assoalho oceânico. O projeto consiste em um estudo da biodiversidade e dos ecossistemas presentes nessas cadeias e estruturas geológicas a elas associadas: “Existem algumas estruturas associadas à cadeia central que não existem nas cadeias do Norte. São cadeias de montanhas perpendiculares que ligam o centro do oceano até a costa, tanto no litoral brasileiro, no Estado do Rio Grande do Sul, como na costa da África, conectadas à Namíbia e África do Sul. Nossos objetivos levam em conta a suprir a escassez de conhecimento da biodiversidade de águas profundas, ou seja, do que existe submerso no centro do Atlântico Sul. Sabemos mais sobre a Lua do que sobre as regiões profundas dos oceanos”, disse o professor José Angel Alvarez Perez. De acordo com o pesquisador estas estruturas são importantes porque levantam alguns tipos de hipóteses biogeográficas: “As áreas costeiras são mais antigas e podem servir como fontes de espécies colonizadoras para os habitats recentemente formados pela separação das placas tectônicas que ocorre continuamente nestas cadeias de montanhas”, pontuou. Essa colonização poderia ser facilitada pelas cadeias de montanhas perpendiculares à cadeia meso-oceânica que atuariam como pontes conectando o centro às margens do Atlântico Sul, disse Angel. “Outra hipótese é que essas cadeias de montanhas possam atuar como barreiras para a dispersão de organismos de mar profundo", apontou. Para Angel, outra questão que deve ser avaliada é o fato do Atlântico Sul ser o último oceano a surgir na separação dos continentes conectando esse oceano a outros três já existentes: o Índico, o Antártico e o Pacífico . Como essa conexão tem afetado a biodiversidade do Atlântico e dos oceanos vizinhos?”, indaga. Mais informações: (47) 3341-7714/9989-6296, com José Angel Alvarez Perez, coordenador do Grupo de Estudos Pesqueiros, do CTTMar/Univali Fonte: UNIVALI _ Universidade do Vale do Itajaí - SC
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