O uso de biodigestor é incentivado pelo mecanismo de desenvolvimento limpo, estabelecido pelo Protocolo de Kyoto, assinado em dezembro de 1997, no Japão, por diversos países membros da Organização das Nações Unidas. O documento estabeleceu diretrizes para criação de projetos do seqüestro de carbono, um mecanismo para redução do nível de gás carbônico na atmosfera.
Em São Domingos, na Linha Debortolli, onde se situa o Laticínio São Domingos, está instalado um Biodigestor, único no Município. Com o biodigestor, através de uma tecnologia avançada, tanto os dejetos de suínos, quanto a água e soro oriundos do Laticínio, são processados e novamente devolvidos à natureza, sem que cause dano algum ao meio ambiente.
“A implantação da tecnologia do biodigestor, além de melhorar as condições do meio ambiente, pode ser uma fonte de renda, onde através da geração do gás para utilizar no aquecimento da caldeira, responsável pelo funcionamento dos equipamentos utilizados no laticínio, diminui o consumo de lenha”, explica o proprietário do Lacticínio São Domingos, Luiz Sérgio Debortoli. Esta foi a solução encontrada para o tratamento e destino corretos dos dejetos produzidos pelos suínos, do soro e da água com produtos de limpeza, utilizados no Laticínio.
Segundo Deborttolli, além de utilizar o gás para substituir a lenha na caldeira, também o líquido processado é distribuído na lavoura, em substituição à adubação química, o que proporciona uma excelente adubação orgânica. Atualmente, a suinocultura está presente em cerca de 40% das propriedades rurais do Brasil.
O uso de biodigestores, tanto como forma de produção de energia ou gás, é essencial para diminuir a poluição. “Os dejetos das criações de suínos têm um potencial poluidor muito grande, afetando principalmente os cursos d'água, provocando o efeito estufa que destrói a camada de ozônio”, explica Luiz. Ao finalizar a entrevista, Luizão como é conhecido, destacou que cada um deve fazer a sua parte para proteger o meio ambiente, proporcionando assim qualidade de vida aos filhos e netos que têm todo o futuro pela frente.
O QUE É BIODIGESTOR?
O biodigestor é o local onde ocorre a digestão anaeróbica dos dejetos. As bactérias são as responsáveis pela degradação da matéria orgânica e produção do biogás. O biodigestor capta o calor do sol, aquecendo a matéria em fermentação, eliminando os coliformes fecais, odores e criatórios de moscas.
O processo de fermentação e liberação do biogás e do biofertilizante ocorre em cerca de 20 dias. A unidade é composta por uma câmara de digestão e de um gasômetro sob uma estrutura plástica de PVC flexível. Tubulações permitem o abastecimento com os dejetos e saída do gás e do biofertilizante. O gás resultante pode ter uso doméstico como em fogões e geladeiras, para iluminação, como combustível para motores e geradores de energia elétrica.
TECNOLOGIA
De acordo com Luiz Sérgio Debortolli, proprietário do laticínio, o metano é 21 vezes mais poluente que o gás carbônico e é queimado para reduzir a poluição. “O biodigestor possui um tubo que vai até a caldeira onde é queimado”.
VANTAGEM
Atualmente no município existem vários criadores de suínos. A grande maioria possui as esterqueiras a céu aberto, onde ficam depositados os dejetos. Posteriormente, estes são despejados na lavoura, sem que tenham sido transformados em adubo. Segundo ele, a vantagem do novo método é a preservação ambiental e a produção de gás - que pode ser aproveitado na propriedade.
COMO FUNCIONA?
1° PASSO: Os dejetos de suínos, o soro e a água com produtos de limpeza - utilizada no laticínio - são enviados, através de tubulação, para o Biodigestor, com capacidade de um milhão de litros. (Em média, 15 mil litros de produtos são enviados para transformação no Biodigestor).
2° PASSO: O Biodigestor faz a fermentação, onde o gás é enviado por tubulação até a caldeira, sendo utilizado através da queima, para funcionamento dos equipamentos do Laticínio.
3° PASSO: O líquido, depois de passar pelo processo, é enviado para um tanque de depósito com capacidade para dois milhões e quatrocentos mil litros, onde após é enviado para lavoura como adubação orgânica.